Geraldo é jardineiro desde pequeno. Cria o neto sozinho porque a filha não aguentou o parto, e o pai do menino sumiu ainda na gravidez.
Ele passou doze anos cuidando do jardim da igreja perto de casa, todo sábado, sem cobrar nada.
Faz sete meses ele sofreu um acidente com a roçadeira nesse mesmo jardim. Tentaram salvar, não deu. Ele acabou acordando sem os dois braços.
Hoje o neto de dez anos dá o café na boca dele de manhã. Foi o Geraldo que ensinou o menino a segurar a colher. Agora é o menino que segura pra ele.
Geraldo não consegue abrir uma porta. Não consegue enxugar o choro do próprio neto quando o menino chora perto dele.
A prótese dos dois braços tem tempo para ser colocada. Se passar do primeiro ano depois do acidente sem começar a usar, o músculo enfraquece e o corpo não aprende mais.
Sete meses já passaram. Faltam apenas cinco.
Jardineiro não tem salário no fim do mês: se não corta grama, não entra nada. O pessoal da paróquia se revezou na casa dele, fez rifa. Não chegou nem perto do valor das duas próteses.
Passou a vida servindo com as mãos. Agora precisa das mãos dos outros pra voltar a abraçar o neto.
Cinco meses é o que separa o Geraldo de voltar a conseguir trabalhar, cuidar de si mesmo e do neto.
Tudo pode começar a mudar aqui, agora.